31 janeiro, 2007

É tudo assim tão mau?

Constantemente a qualidade do nosso futebol é escamoteada por “paineleiros” e pseudo-intelectuais que sem conhecimento de causa fazem transparecer a imagem que a nossa SL se encontra ao nível do campeonato do Luxemburgo, Malta, Irlanda ou Chipre.
Estou a ser exagerado, mas já ouvi alguém dizer que a 2ª liga espanhola é mais apetrechada em termos qualitativos do que liga principal portuguesa.
Se a modalidade fosse o basquetebol ainda dava o braço a torcer mas assim é demais.
É certo que as assistências são fraquinhas, mas que esperar de um país mergulhado numa crise financeira que tarda em desaparecer?
Ainda hoje o irmão do Mats Jagunço disse-me: “Não me vão renovar o contrato! Amanhã já não vou trabalhar”
É esta a situação do país! Não esperem que este jovem se sinta na predisposição de desembolsar algum montante em numerário nas bilheteiras de um estádio.
Em Inglaterra os estádios estão sempre cheios?
Pudera, eles ganham 3 vezes mais do que nós.
Também gostava muito de pegar na minha família e ir Domingo sim Domingo não ao bonito Municipal de Aveiro. Não me importava com a época horrível que o Beira Mar estava a fazer, ia pelo simples gosto de ver um jogo ao vivo. Sim, é diferente para melhor.
Mas e o preço? Com tantas contas para pagar temos que abdicar da coisa mais importante das coisas menos importantes.
Reduzam o preço dos bilhetes, deixem as senhoras entrar de graça (quando acompanhadas pelo marido ou namorado) e certamente terão uma agradável surpresa.
A qualidade do nosso futebol é fraca?
Olhem que não, esta semana assisti a 5 jogos (Leiria–Porto, Paços de Ferreira–Braga, Belenenses-Benfica, Boavista-Sporting e Nacional-Marítimo) todos bastante interessantes.
Belos espectáculos em nada inferiores ao Atlético de Madrid-Racing de Santander ou ao Midlesbrough-Portmouth.
Nós somos vice campeões da Europa e semi-finalistas do Mundial, será que somos assim tão maus?

30 janeiro, 2007

Dauto "o menosprezado" Faquirá

Prestamos hoje a devida a homenagem a um dos “misters” mais menosprezados do futebol português, um homem com provas já anteriormente dadas no Barreiro e no Estoril. Não deve ter sido nada fácil manter o histórico Estoril Praia na Divisão de Honra depois de todos os problemas da época passada.
Talvez por ser negro, ou devido ao seu nome e aspecto exóticos, Dauto Faquirá tem sito constantemente alvo de escárnio e chacota por parte dos amantes do futebol (nós incluídos).
Meia dúzia de jornadas após o início da época e já muito boa gente dava o Estrela como condenado. O calendário não foi nada favorável, mas o futebol desenvolvido pelos tricolores era de uma pobreza gritante.
O Estrela é um daqueles clubes simpáticos que vive da generosidade dos 3 grandes e se na época passada essa mesmo generosidade abundou com Bruno Vale e Manu a rumarem ao José Gomes, a equipa da presente época é bem mais fraca.
Subitamente os rapazes da Reboleira encetaram uma recuperação bem interessante, estando já 8 acima pontos da linha de água.
Faquirá é um dos bons técnicos portugueses estando perfeitamente ao nível de nomes como Manuel Machado, Rogério Gonçalves, Mariano Barreto, Carlos Brito ou Vítor Pontes.
Que venha um projecto mais aliciante.

Para concluir umas palavras para o nosso ex-colaborador Jorge Kataklisnmann.
O meu pai apareceu lá em casa com alguns exemplares de uma certa revista desportiva..
Toda ela é bastante interessante, mas deliciei-me sobretudo com os artigos de um jornalista que nunca tinha ouvido falar. A sua maneira de escrever era-me extremamente familiar. Parecia tudo tão Malta da Tropa!
Quando o Gilberto me elucidou sobre a tua situação, disse para comigo mesmo: “Pah, o Jorge é aquele gajo! Só pode!” Estava correcto!
Endereço-te um valente amplexo e os votos de felicidades.

25 janeiro, 2007

1 Mês de Pós-Modernidade

2007 está a ser, a nível pessoal um ano de vida pilhas duracel, dura, dura, dura.
Começou com um novo emprego e consequente redução salarial em cerca de 300 euros. Entendo agora as razões de JVP para abandonar rapidamente o Sporting quando lhe quiseram reduzir drasticamente o vencimento.
Para ajudar à festa a minha namorada, qual César Peixoto, ou Hugo Leal, destruiu a potente bomba que conduzia quando íamos de fim de semana.
Como podem constatar nada fáceis os tempos que correm para o mentor do Cavrismo.
Contudo nem tudo é mau, o mês de Janeiro está a ser um portento de pós modernidade, com ela (a pós modernidade, claro) a bater-nos à porta quase todos os dias.
Começo com Augusto Inácio.
Depois do Beira-Mar e dos gregos do Ionikos, o aniquilador do hexa, rumou ao médio oriente para treinar o Foolad, último classificado da exigente liga iraniana.
É a 3ª vez na presente época que Inácio treina o último classificado de um campeonato nacional, o que deixa a antever que o mítico recorde de Luís campos pode estar por um fio.
Em 2002-03 o professor de Fão despromoveu o Vitória de Setúbal, o Varzim e 2/ 3 do Santa Clara. 2 anos mais tarde treinou 2 últimos classificados, o Beira Mar e o Gil Vicente (este recorde foi batido à data de 23 de Janeiro de 2007).
Imaginem um meeting de atletismo daqueles fixes onde se contratam “lebres” para impor um ritmo vivo. Nos vários pontos de cronometragem Inácio encontra-se adiantado face ao recorde de Luís Campos.
Os gregos já lá estão, o Beira-Mar para lá caminha e o Foolad também lá deve ir parar.
Augusto Inácio apresenta igualmente o registo de 2 chicotadas psicológicas em 4 meses, fantástico!
Outro foco de pós modernidade ocorreu no Dragão com o Atlético a eliminar o actual e futuro campeão nacional. O jogo foi a personificação da pós modernidade desde o golo deitado de David ao penalty inventado nos momentos finais da partida, passando pelo remate ao poste de Quaresma.
Uma semana depois no Restelo, Carlos Martins foi presenteado com 2 cartões amarelos em 45 segundos. O caso não é nada de especial se tivermos em conta o sucedido a 19 de Janeiro no Calderon, com 4 jogadores do Ossassuna a verem o cartão vermelho directo nos últimos 15 minutos da partida.
No âmbito das entrevistas, o jovem Fábio Coentrão, actualmente no Rio Ave e futuramente no Sporting, presenteou-nos com uma entrevista digna de figurar nos anais da literatura.
Diz o petiz vila-condense que já está na altura de dar o salto. Tem 18 anos e já está há 2 anos nos seniores, pelo que já sabe mais ou menos como isto é!!!!!!!!!!!
Suplico a Soares Franco e à SAD leonina para contratarem rapidamente esta pérola e para o jogador ser sempre o escolhido para o flash interview.
Last but not least, Carlos Sousa meteu o Mundo a rir quando decidiu abandonar o co-piloto no meio de uma tempestade de areia em pleno deserto da Mauritânia.
Um gesto que embora indo contra todas as leis da tropa é de uma pós modernidade sem paralelo. Digamos que Carlos Sousa terá batido o recorde mundial da pós modernidade.
E por hoje me despeço até ao próximo post, onde irei homenagear Dauto Faquirá e dizer “muito obrigado” a Jorge Kataklinsmann.

23 janeiro, 2007

Que se passa, Mourinho?

O impensável está prestes acontecer. Depois de 2 anos de domínio absoluto, o Chelsea pode perder o título de inglês.
Um grande treinador irá suceder a outro grande treinador, uma velha raposa conseguiu dar volta e derrotar o jovem que parecia invencível.
A concretizar-se a profecia, será a 1ª vez desde que se tornou treinador principal do nosso Porto, que o “Special One” perde o campeonato nacional.
Não fossem os golos de Van Persie e Henry, já na fase final da partida, e a profecia seria quase um facto consumado.
O que estará então na origem do abaixamento de produtividade dos londrinos?
Em 1º lugar as carências defensivas, fruto da lesão de John Terry e das saídas de Gallas e Huth. O capitão é possivelmente o melhor central da actualidade tendo igualmente o dom de decidir partidas. Não foram poucas as vezes que o duo dourado (Terry/ Lampard), ao bom estilo Oliver Tsubasa/ Misaki Taro, guiou os londrinos à vitória.
O francês Gallas é talvez o melhor defesa polivalente da actualidade, pelo que os blues saíram a perder com a “troca” com a Ashley Cole. Não querendo tirar mérito ao dono do lado esquerdo da defesa da selecção inglesa, Gallas teria dado um “jeitão” nestas últimas partidas.
O alemão Huth, não sendo um fora de série, longe disso, era um guerreiro, compondo com Terry, Ricardo Carvalho e William Gallas um quarteto de centrais de respeito.
Mourinho cometeu o erro de não ter 2 jogadores para cada posição, atacando a exigente época 2006/ 07 com somente 3 centrais.
Com Terry e o “Kamikaze” holandês lesionados, o setubalense teve que adaptar Paulo Ferreira ao centro da defesa. Não sei o que se passa, mas desde a época passada que as performances do lateral direito são de uma pobreza gritante. A continuar assim e duvido que faça a 4ª época nos “blues”.
Para ajudar à festa, Peter Cech quase foi decapitado. Veio Hilário e Cudicini, mas a equipa deixou de ter um dos melhores guarda redes do Mundo, capaz de fazer a diferença.
Depois veio a imposição de contratar Ballack.
O alemão é de facto um grande jogador, mas é completamente incompatível com Frank Lampard. Lampard e Joe Cole sim, Lampard e Ballack não. Mas lá está, Joe Cole está lesionado.
Finalmente temos Andrey Shevchenko. O ucraniano era realmente o homem certo para atacar a champions, mas tem-se revelado um autentico fiasco.
Não sei o que se passa, mas parece que os temíveis pontas de lança do Calcio falham rotundamente na Premier League! Lembram-se de Herman Crespo?
Supostamente é mais difícil jogar em Itália, mas parece que não!
É certo que o Chelsea pode ainda vencer tudo este ano e Mourinho vai-me calar se vencer a Champions, mas acabou o mito da equipa quase imbatível.

22 janeiro, 2007

E a época quase ia ao ar...

Quando Harrisson adiantou a União de Leiria já na 2ª parte da partida, fiquei petrificado, boquiaberto, amedrontado!
Com um atraso já significativo no campenato, pensei que os encarnados poderiam ter ali hipotecado a época.
Relembrei o famigerado golo de Flávio Meireles, que nos deitou para fora da Taça na temporada transacta. Apesar de estarmos ainda envolvidos numa competição europeia, a Taça é sempre um "doce" apetecivel. Graças a Deus, o cabelo de Nuno Gomes e o pé de Mantorras operaram a cambalhota no marcador lançando o Glorioso nos oitavos de final da prova.
O Nosso Porto B... perdão, União de Leiria foi um digno vencido, mas demonstrou um péssimo perder principalmente o seu delegado ao jogo e o seu treinador principal.
A arbitragem de Lucilio Batista terá sido assim tão má?
Terá Lucio, como Domingos Paciência afirmou, efectuado uma arbitragem habilidosa que virou o resultado?
Lá que os senhores que lideram a União são brancos por fora e azuis por dentro, todos sabemos, mas ficava bem disfarçar...
Sinto-me triste e revoltado com a falta de respeito que os 2 grandes de Lisboa são vítima semana após semana.
Nunca ouvi um treinador contrário afirmar que o Sporting e o Benfica são de outro campeonato e que a sua equipa terá muitas dificuldades em conseguir um bom resultado...
No final a vitória só é justa quando o Benfica ou o Sporting vencem por mais de 3, e mesmo assim...

18 janeiro, 2007

Será possível?

Estou alarmado! A saída de Ricardo Rocha para os Spurs de Inglaterra está-me a dar a volta aos nervos.
Com Alcides às ordens de Ronald Koeman no PSV, os encarnados vão atacar o que resta da época com 2 centrais?! Está tudo doido?!
Os jornais insistem no tal ponta de lança (Nilmar e o raio do grego o qual me recuso a escrever o nome), mas e os centrais?
Por muito que me esforce não consigo encontrar no plantel um trinco ou um lateral cujas características permitam dar uma “perninha” no eixo da defesa. Já não há Diego Sousa, Manuel dos Santos e Fyssas.
Os ajustes no plantel são necessários, mas a defesa era já um dos sectores mais deficitários do clube da Luz.
Não nos vamos precipitar, ainda estamos a lutar em 3 frentes com a Taça de Portugal e a UEFA ao alcance.
Saindo Rocha, não pode sair Alcides e vice versa.
São 2 jogadores que demonstram competência nas várias posições da defesa. Não existem “Ricardos Rochas” e “Alcides” a pontapé por esse Mundo fora.
Por mim não saíria nenhum!
Com a saída de Kikin e a penalização de Nuno Assis ficamos com 24 jogadores, querem dispensáveis?
Beto, Marco Ferreira, Manu, Paulo Jorge, Miguelito, Karyaka e Mantorras.
Basta tirar 2 ou 3.

Recordando “Il Pirata”

Faz 3 anos, no próximo dia 14 de Fevereiro, que Marco Pantani faleceu, vítima de overdose de cocaína num hotel em Rimini.
Trepador exímio teve o seu primeiro ponto alto em 1994 ao seu 2º no Giro (2 vitórias em etapas) e 3º no Tour. Na prova francesa, venceu a mítica chegada ao Alpe D’Huez.
A 2 vitórias no Tour de 1995 seguiu-se uma terrível queda, numa competição em Itália, que fez perigar a sua promissora carreira.
Voltou no Giro de 1997, mas o azar bateu-lhe novamente à porta, quando um gato se cruzou diante a sua bicicleta. Recuperou a tempo de participar no Tour, alcançando novo 3º lugar, com duas vitórias em etapas.
1998 foi o seu ano de ouro, com o italiano a vencer o Giro e o Tour.
Em condições normais, o “Pirata” não teria grandes hipóteses face a Jan Ullrich, contudo um erro de alimentação por parte do alemão na primeira grande etapa de montanha levou-o a perder mais de 7 minutos.
Ullrich recuperou bastante tempo nos contra-relógios, mas Pantini conseguiu gerir bem a enorme vantagem, não esbanjando a oportunidade para fugir ao alemão nas etapas de montanhas, onde era simplesmente o melhor.
No Giro, o grande número de etapas montanhosas favoreceu o seu estilo, não dando margem de manobra a valorosos contra-relogistas com Alex Zulle e Pavel Tonkov.
Em 1999, quando liderava o Giro já com cerca de 10 minutos de vantagem e 4 vitórias em etapas, a bomba rebentou. Um exame ao sangue revelou uma elevada taxa de glóbulos vermelhos, motivados pela utilização de EPO.
Nunca mais esquecerei a vaia monumental com que os tiffosi presentearam Ivan Gotti (o novo camisola rosa) no dia em que o “Pirata” foi desclassificado.
Cumpridos os 2 anos de suspensão, voltou no Tour de 2000, alcançando mais 2 vitórias em etapas. Para recordar a escalada lado a lado, com Lance Armstrong, do terrível Mont Ventoux. No final Lance permitiu a vitória ao adversário, facto que deixou o “Pirata” ressentido. Foi a sua última grande vitória.
Em 2003, sofrendo de depressão, internou-se numa clínica especializado do norte de Itália, alegrando os tiffosi que ansiavam por novo regresso do ídolo.
Depois, a 14 de Fevereiro de 2004, a maldita cocaína, fez tombar o “Pirata”, o “Fantino”, o melhor ciclista de alta montanha que alguma vez vi. Ele era de facto especial.

16 janeiro, 2007

Auf Wiedersehen


E prontos, o vosso amigo Kataklinsmann fica-se por aqui, em termos de colaboração com a prezada Malta da Tropa que Curte Bola (e não só). Parece-me uma boa altura. Segundo confirmei, faz amanhã 16 meses que comecei a colaborar neste blog, a convite do Gilberto Mandamil. Parece-me um bom período, durou mais que certos empregos que tive. Por outro lado, com a posta que publiquei ontem sobre o que é, para mim, ser adepto de um clube, acho que não tenho muito mais a dizer, pelo menos com muita regularidade.

Alguns factores concorrem para a minha cessação de actividade:

- Ao contrário do que aconteceu nas origens deste blog, e do que eu próprio cheguei a conseguir fazer inicialmente, neste momento não tenho disponibilidade temporal nem cerebral para me dedicar a postas de carácter mais histórico, que requerem alguma investigação.

- Como eu sempre lamentei, não conseguimos ter muita pluralidade de opiniões. Os portistas e o boavisteiro que chegaram a fazer parte da “redacção” fugiram e acabámos por transformarmo-nos num Sporting-Benfica, com vitória leonina por 3-2.

- Para finalizar, assumo o meu fracasso nalguns aspectos. Sinto-me uma espécie de Peseiro do blog. Futebol muito bonito (pensava eu), mas pouco eficaz. Esta última posta é um bom exemplo. Tentei lançar um debate sobre a condição de adepto de futebol, esperando ler argumentos pró ou contra a minha opinião, mas que permitissem chegar a algumas conclusões. Afinal tive o Cassius a dizer apenas que eu puxo a brasa à minha sardinha, sem adiantar os seus próprios argumentos; tive o Cavra apenas a bater no mesmo, “Vivó Eusébio e abaixo as Supertaças!”; tive o fmshark a chamar-me palhaço, a dizer que o meu clube é uma merda, que os sportinguistas são gays e que gostamos é de pixotas (eu pichotas conheço, pixotas não, mas acho que te percebo). Em resumo, não consegui fazer passar a minha mensagem. Enfim, nem todos podemos ser Mourinhos, também há os Peseiros da vida.

Posto isto, e reconhecendo que o blog tem vindo a crescer coerentemente a nível de leitores, resta-me desejar as maiores felicidades aos meus colegas e ao blog. Ou, como dizemos lá em Teutónia, “machs gut!”.

15 janeiro, 2007

Ser...

Há uns tempos, o meu amigo Porfírio fez-me uma pergunta. Recordo-me que na altura não lhe dei nenhuma resposta por aí além e a conversa não foi longe. Mas nos entretantos reflecti um pouco sobre o tema e cheguei a algumas conclusões filosóficas. Não tenho a presunção de serem conclusões universais, mas são pelo menos pessoais da minha pessoa. A pergunta era mais ou menos esta: “Achas que nós, adeptos de futebol de clubes diferentes, somos assim tão diferentes uns dos outros?”. A verdade é que, depois de pensar um pouco, normalmente durante o banho mensal, acho que sim, somos diferentes. Vou tentar explicar as minhas ideias, de uma forma tão concisa quanto possível. Como não posso analisar o que é ser adepto de todos os clubes nacionais, vou tentar analisar sobretudo o que é ser adepto dos três grandes.

Ser benfiquista


Até aos meus 7/8 anos dizia que era benfiquista. Não ligava nenhuma ao futebol, mas a maioria dos meus amigos eram lampiões e eu também pensava que era. Depois mudei para o outro lado da Segunda Circular. Hoje não me imagino como benfiquista. Na minha opinião os benfiquistas sofrem de arrogância de gigantismo. Não duvido que têm mais adeptos e mais títulos, mas não me agrada a conversa de que são a medida de todas as coisas. As tretas do Glorioso e da Catedral, que até a Comunicação Social adoptou, mostram parte dessa arrogância. Outra manifestação acontece quando proclamam que o Benfica há-de ser sempre o maior, independentemente do que o futuro traga. A frase “se o Benfica acabar, o futebol português também acaba” é outro marco lampiónico.

Há uns dez anos os benfiquistas gabavam-se de ter mais campeonatos que todos os outros juntos. Hoje em dia essa questão já nem se coloca. Também se orgulhavam de ter mais títulos internacionais que os outros, mas também nisso já estão a perder. Alguns ainda tentam atirar a Taça Latina para o barulho, como se fosse um título europeu, mas não pega. Outros desvalorizam as Supertaças, competição onde têm menos títulos que Porto e Sporting. Agora, à falta de resultados, temos o Guinness. O Benfica é o clube do mundo com mais sócios - até num forum na “Kicker Online” apareceu um lampião residente em Estugarda a chagar os pobres adeptos alemães com isso. Como se não soubesse(mos) que na Alemanha e em Inglaterra, os dois países com melhores assistências nos estádios, os sócios têm muito menos importância do que no sul da Europa. E depois temos o caso-Eusébio, que terá de ser sempre o melhor jogador português de sempre, mesmo que alguns façam melhor que ele.

Mas há que dizer que essa arrogância gigantista não é exclusiva do Benfica. Por isso eu não gramo clubes como o Real Madrid, a Juventus, o Bayern, o Liverpool, o Flamengo ou o Boca Juniors, entre outros. Quem ouve adeptos destes clubes a falar acredita que se tratam de entidades quase divinas, em que ninguém pode tocar, mesmo que os resultados em determinada altura contrariem essa grandeza. É óbvio que ser adepto do Benfica, ou dos outros clubes mencionados, é mais fácil: estão em maioria, têm mais títulos para mostrar, se comprarem o jornal ou ligarem a TV sabem que vão ter mais espaço que os outros, etc. Mas, curiosamente, em cerca de 100 anos de futebol em Portugal, o Benfica só dominou 20. Até aos anos 50 o Sporting tinha mais títulos (18 contra 10 no Campeonato de Lisboa, 4 contra 3 no Campeonato de Portugal e estava também em vantagem no campeonato nacional). Depois vieram os anos 60 e 70 que foram efectivamente dominados pela águia, e foi aí que se ganharam muitos adeptos. A partir dos anos 80 esse domínio foi sendo perdido para o FC Porto.

Outro aspecto é o orgulho da dimensão popular do clube. O Benfica é o clube do povo, do garrafão e do coirato, em suma, é um clube com uma vertente pimba muito pronunciada. É o clube onde se vê uma senhora a chorar de orgulho depois do Benfica ter eliminado o PAOK nos penalties, como se tivesse ganho a Liga dos Campeões. Onde se vê um senhor de muita idade chorar de alegria por ver o nome do clube no Guinness. Pode ser pitoresco, mas não acho piada a esse estado de alma, “seremos sempre os maiores por mais fundo que batamos”. Em resumo, penso que essa arrogância de gigantismo eterno se encontra apenas no Benfica, por isso penso que ser benfiquista não é igual a mais nada.

Ser portista


Ser adepto do FC Porto até aos anos 70 era um acto de coragem. O Kataklinsmann Sénior, por exemplo, tornou-se portista nos anos 50, por isso também deve ter penado muito, enquanto adepto. Nos últimos 20 anos tudo se tornou diferente. O Porto tornou-se no clube mais bem sucedido do futebol português e, do nada, começaram a surgir adeptos do FêQuêPê. Pessoas que eu não sabia sequer que gostavam de futebol, um dia acordaram com o dragon no coração. Ou seja, hoje em dia é muito mais fácil ser adepto do Porto do que de outro clube em Portugal. Há uns meses a “FHM” publicou uma reportagem sobre pessoas que mudaram de clube enquanto adultos. E 70 a 80% dessas pessoas mudaram precisamente do Benfica para o Porto. O que confirma a minha teoria de que a paixão por ganhar é maior do que a paixão pelo clube.

Há umas semanas Hélder Postiga deu uma entrevista a “O Jogo” onde dizia que os adeptos portistas eram muito mais exigentes do que os benfiquistas ou sportinguistas e que não tinham problemas em mostrá-lo aos jogadores. Acho isso uma situação perfeitamente normal. Se grande parte dos adeptos portistas só descobriram a sua paixão devido às vitórias do clube, é normal que não gostem nada de perder. Nos últimos anos também surgiram muitos novos adeptos do Lyon e do Chelsea. Compreende-se, o sucesso traz adeptos. Mas quando um clube está tão dependente dos sucessos para atrair paixão, corre muitos riscos. Tenho a certeza absoluta de que se um dia o Porto voltar a ser o que era até aos anos 70, uma quantidade enorme de adeptos fugirá a sete pés do Dragão. Resumindo, enquanto os benfiquistas consolam-se com a “verdade absoluta” de serem um colosso eterno, os portistas só se consolam com vitórias atrás de vitórias. Por um lado é bom haver sede de vitórias. Por outro quando a sede é muita e as vitórias deixam de aparecer, muitos vão matá-la noutro lado.

Ser sportinguista


Eu tornei-me sportinguista no período mais complicado possível. Estávamos em 1984 e mal sabia eu que teria de esperar 16 anos para saborear o primeiro título de campeão. Os meus colegas Mandamil e Beckenbauer, bem mais jovens começaram a sofrer quando o jejum já era enorme. Por outro lado, esperaram menos para verem o caneco em Alvalade. Passar tantos anos a ver o sucesso fugir, a ouvir piadas constantes sobre o meu clube e inclusivamente a ler que o Sporting estava a ficar mais perto do Belenenses do que do Benfica e do Porto, em termos de dimensão, não foi fácil, ainda por cima quando sou um adepto apaixonado de futebol e não apenas um curioso de fim-de-semana. Mas sinceramente nunca tive vontade de mudar de clube ou simplesmente de me borrifar para o futebol (OK, durante a era-Peseiro pensei nisso, mas não fui capaz).

Não sei se ser sportinguista é ser mais dedicado e fiel que os outros. Por um lado não temos a mania de grandeza do Benfica, por outro não somos tão dependentes das vitórias como os portistas. A verdade é que mesmo com quase 30 anos de quase secura de títulos, não se verificou grandes alterações no sportinguismo. As assistências no estádio estão ao nível das dos rivais e o número de sócios continua razoável, tendo em conta que não se fez nenhuma campanha recentemente. O que se pode dizer então dos sportinguistas, em comparação com os seus rivais? Acho que um facto positivo e um negativo: por um lado são mais razoáveis e mais pacientes, por outro são também mais conformados com o destino do clube, seja ele bom ou mau. Pessoalmente, gostando muito de ganhar, tenho sobretudo simpatia por clubes com características semelhantes ao Sporting, isto é, que variam muito entre momentos de glória e outros de desgostos profundos. Tudo isso mantendo sempre a fidelidade dos adeptos. Por isso sou fã de clubes como o Eintracht Frankfurt, o Atlético de Madrid, o Inter, o Saint-Étienne, o Newcastle... Podem chamar de masoquismo, eu chamo paixão pelo futebol e estar preparado para subir às nuvens, mas, sobretudo, para descer bem ao fundo do poço.

Nem tudo é perfeito no Sporting e há certas coisas com as quais não me identifico. Por um lado não sou rico nem monárquico, duas condições a que o Sporting normalmente é associado. E não pensem que não lamento, pelo menos a primeira condição. De resto, não gosto de ouvir os meus consócios dizerem que “somos diferentes”. Para já, é verdade, como tento demonstrar nesta longa posta. Mas sei que a intenção é dizerem “somos melhores”. Eu gosto de ser sportinguista, mas não me considero melhor pessoa por isso. Também não gosto quando se fala em futebol e os sportinguistas dizem que somos o segundo maior clube da Europa em termos de títulos nas várias modalidades, a seguir ao Barcelona. Mudar de assunto não abona em nosso favor. Prontos, não somos perfeitos.

Ser adepto

Um dos problemas do futebol português, como eu me farto de vincar, é de haver paixão sobretudo por ganhar. Por isso aqui em Setúbal sempre houve muitos pseudo-vitorianos que afinal gostavam mesmo é do Benfica. Nos últimos anos tenho vindo a descobrir que afinal têm um fraquinho é pelo Porto. Nunca mais hei-de esquecer um jogo da III Divisão alemã, em Agosto de 2004, entre o Fortuna Düsseldorf e o Eintracht Braunschweig. São dois clubes que já foram campeões alemães, mas que entretando caíram nas profundezas dos campeonatos nacionais. Mas estavam quase 7000 espectadores num ambiente frenético. No final, ao viajar de metro, deparei com centenas de jovens adeptos do Fortuna, que festejavam a vitória como se tivesse sido um título. Pensei: “Chiça, num clube que já foi campeão, festejam assim uma simples vitória na III Divisão?”. Isto, meus amigos, é ter paixão pelo futebol e por um clube, independentemente do destino que este tiver. Comparado com isto, ser sportinguista não é assim tão doloroso.

Com isto espero ter respondido à questão do caro Porfírio. Sim, somos todos diferentes. Um adepto do Fortuna Düsseldorf não pode ter os mesmos sonhos, enquanto adepto, que um do Bayern Munique. Tal como um do Atlético (se ainda houver mesmo adeptos do Atlético) não pode ter os mesmos de uma adepto do Benfica. E só por isso merecem toda a consideração e, de certa forma, inveja, por estarem dispostos a levar uma vida de sofrimento (futebolísticamente falando) em nome de uma paixão.

12 janeiro, 2007

O Segredo do Sporting???

Completo a trilogia de antevisões à 2ª parte da época dos 3 grandes com o Sporting CP.
A nível interno as aspirações são similares às do rival da 2ª circular, se bem que no campeonato e porque vão à frente os leões têm uma ligeira dose de favoritismo caso o nosso Porto ceda... e que bom seria! Confesso em 1ª mão (e o Matts pode confirmar) que sempre tive uma certa simpatia pelo Sporting contrastando com o ódio visceral que nutro pelo rival do norte. Admiro os feitos dos azuis e brancos, mas não me peçam muito mais. Recusei inclusive um bilhete para ir ao terreno do Shalk-04 (sim não sei escrever o nome da cidade).
Como para o SCP não há liga dos campeões nem taça UEFA, poderia terminar desde já a posta, mas não resisto a focar algo que me tem inquietado.
Pouco depois de Paulo Bento ter assumido o cargo de treinador, muito se falou no chamado “Segredo do Sporting”, indo alguns leigos mais longe ao ponto de apelarem para as alegrias que a equipa de futebol tinha dado à massa associativa.
Pergunto eu, qual segredo? Que alegrias? Vencer na Luz por 3-1 e ganhar os torneios do Guadiana e Sevilha?
Por amor de Deus, não é por o Benfica ter vencido o Torneio do Dubai que vou proclamar aos 7 ventos que temos uma grande equipa capaz de ombrear com os grandes colossos do futebol.
Desde os tempos da dupla pai e filho (João Vieira Pinto e Mário Jardel) que o Sporting não vence um título oficial. Já lá vão 5 anos sem ganhar o campeonato!
O problema do Sporting (e não o segredo) reside numa certa pequenez de espírito, ao ponto de se dar a época por bem empregue caso o Benfica não vença nada. Vivem-se os insucessos dos encarnados como se de títulos se tratassem.
Preocupam-se em demasia com um rival que padece de um mal mais ou menos similar. O Benfica foi grande, já não o é (em termos desportivos) desde os inícios da década de 90. As grandes conquistas do clube datam do passado e ponto final.
É hora do leão abrir a pestana e deixar de estar conformado com a hegemonia do Porto.

11 janeiro, 2007

FCP o que esperar para 2007

Como o nosso Porto carece de representa neste blog, dou uma vez mais a cara pelo principal clube da invicta.
Apelo aos restantes membros da Malta da Tropa para me ajudarem na pesquisa incessante que tem sido encontrar um adepto do FCP que cumpra os requisitos militaristas. A não existência de um Pôncio Monteiro que poste regularmente é uma lacuna terrível.
Sei que temos vários adeptos tripeiros aos quais devemos agradar.
Passo de seguida à previsão do resto da época azul e branca.

Campeonato
Salvo uma hecatombe a Super Liga não deverá fugir aos comandados de Jesualdo Ferreira. O professor é um técnico fraquinho mas quem treina o Porto arrisca-se a conquistar títulos, mesmo que nunca o tenha feito até então.
Será o 4 título da presente década, confirmando os azuis e brancos a hegemonia da década de 90. Depois de 3 anos sem ganhar o campeonato (2000 Sporting, 2001 Boavista e 2002 Sporting) a equipa ressuscitou (e de que maneira) com a chegada de Mourinho.
O nosso Porto é a melhor equipa, ou pelo menos é aquela que tem o maior número de grandes jogadores.
Olhando para o plantel do Sporting encontramos Ricardo, Liedson, Moutinho e com muito jeitinho talvez Marco Caneira. Existem estrelas emergentes como Nani e Miguel Veloso, contudo precisam de amadurecer e ganhar o chamado calo.
Caso a contratação de Fábio Rochemback se confirme, o brasileiro poderá vir a ter papel nuclear na equipa, libertando um pouco João Moutinho.
No Benfica temos Simão, Petit, Luisão e Nuno Gomes como figuras de proa, auxiliados por Katsouranis. Micoli tem muita qualidade, mais do que Nuno Gomes, mas o italiano alterna demasiadas vezes o relvado com o Departamento Médico do clube.
Nelson e Leo são bons a atacar, mas pecam ao nível defensivo devido à falta de estatura.
Quanto ao maestro Rui Costa, duvido que volte a fazer a diferença.
Por sua vez no Porto encontramos um guarda redes de qualidade mundial, para não dizer 2.
Na defesa Pepe e Bosingwa (mais o brasileiro) são do melhor que há.
Na linha média Lucho Gonzallez, Quaresma e Anderson são simplesmente fabulosos. Duvido que permaneçam no Dragão por muito mais tempo.
O ataque é o calcanhar de Aquiles da equipa, mas a garra e o querer transformaram Hélder Postiga num goleador. Lisandro é igualmente um abnegado que pode decidir.

Liga dos Campeões
A sorte não bafejou os dragões.
O Chelsea não deverá dar hipóteses aos campeões nacionais.
Os londrinos parecem este ano uma equipa mais talhada para a Liga dos Campeões do que para a própria Premier League.
Não agouro nada de bom quando os Futebol Clube do Porto enfrentar, lá para Março, o temível Chelsea. Talvez só se salve a receita.

10 janeiro, 2007

Benfica o que esperar para 2007

Ainda antes da pré-época fiz uma posta onde demonstrei bastante optimismo sobre a época do Benfica, manifestando apoio inequívoco a Fernando Santos.
As coisas correram mal e os leitores caíram-me em cima acusando-me de lunático, sonhador, incauto...
Como sou um homem de barba rija, apesar de não ter ido ver as estrelas da WWE ao Pavilhão Atlântico, aqui estou para antever a 2ª parte da época benfiquista. Muito mais comedido e sem o optimismo de outrora.

Campeonato
Não são o Benfica e o Sporting que estão fracos, o problema é o Nosso Porto estar a fazer uma época daquelas. 1 empate e 1 derrota ao fim de 14 jornadas é dose!
Vamos acreditar que a derrota ante o Atlético de David e Cª foi um descuido, um tropeção motivado pela falta de seriedade e profissionalismo com que os dragões encararam a partida.
Se os dragões não quebrarem, os velhos rivais da 2ª circular terão que se contentar com a luta pelo 2º lugar e aí não sei quem levará vantagem. O Benfica parece ser mais forte, mas os de Alvalade são mais regulares.
Só um à parte, creio na vitória do Benfica quando receber o Porto.

Taça UEFA
Disse outrora um elemento desde blog que a UEFA é uma boa oportunidade para os 3 estarolas portugueses.
O sorteio até protegeu o Benfica, com o caminho para os quartos de final a estar de certa forma facilitado. Dínamo de Bucareste e PSG são perfeitamente acessíveis.
Uma vez nos quartos deve-se tentar chegar o mais longe possível.
Não quero sonhar alto, mas gostava de vencer o “caneco”.

Taça de Portugal
Mais uma excelente oportunidade para salvar a época. Aqui o sorteio e a fortuna do factor casa assumem papel crucial. Não quero arriscar prognósticos mas com o nosso Porto de fora as coisas tornam-se muito mais fáceis.
Se a normalidade imperar será Simão Sabrosa ou Custódio quem receberá a taça das mãos do Presidente da República, Professor Cavaco Silva.

09 janeiro, 2007

E Quim?

Donde: Quim melhor que... Sepp Maier? Ou mesmo Lev Yashin?

08 janeiro, 2007

Suicídio

Há dois anos, o Beira-Mar desceu, de forma natural, à Liga de Honra. Ficou a sensação de que a direcção não conseguia manter estável a área do futebol(pelo menos esta, que é a mais visível), sendo obrigada a ceder aos interesses dos principais investidores. Primeiro veio o inglês que ninguém conhecia, e que até não obteve maus resultados. Se não me falha a memória, seguiu-se o mítico Luis "Campas" e, a fechar, Inácio. Esta época parece ser, em Aveiro, uma réplica fiel da última dos aurinegros como primodivisionários. Um início razoável a anteceder um deserto de resultados positivos, com a acumulação de técnicos. Amanhã vem Fernando Soler, o substituto de Carvalhal, indicado pelos accionistas da SAD. Há quem não aprenda com os erros...

07 janeiro, 2007

O Máiore!

Faço minhas as palavras de uma adepta do clube da Tapadinha aos microfones da Antena 1 após a histórica vitória no Dragão: “O Atlético é o maior clube de Alcântara!” Quem duvida?

04 janeiro, 2007

Justiça para Simão e Quaresma

Ultimamente muito se tem escrito sobre os feitos de Cristiano Ronaldo em terras de sua majestade.
Disse o meu camarada de trincheiras, mas não de clube, Jorge Kataklisman que Ronaldo aos 21 anos é uma estrela em Manchester e que com essa mesma idade Ricardo Quaresma e Simão Sabrosa haviam falhado em Barcelona.
É certo os dois falharam no exigente tribunal da Catalunha, mas não fosse Sir Alex Fergunson e o jovem madeirense certamente já haveria retornado a Portugal fazendo as delícias de outro clube que não o Sporting.
Os primeiros tempos do miúdo em Inglaterra não foram nada, mesmo nada fáceis!
Simão Sabrosa rumou a Barcelona em 2000, esse mesmo ano em que Luís Figo, então alcunhado de “pesetero”, “figo de puta”, “cabron”, “coño”, e “mercenário”, havia-se tornado no 1º galáctico de Florentino Perez.
A verdade é o actual capitão do Benfica pegou de estada, ocupando a vaga que o seu compatriota desertor havia deixado no lado direito do meio campo.
Lembram-se do Barcelona – Real Madrid de 2000? Esse mesmo em que Figo teve que deixar os pontapés de canto para Roberto Carlos, tal era a chuva de objectos sempre que o nº10 merengue se aproximava da bandeirola.
O Barca venceu por 2-0 com golos de Luís Enrique e ... Simão.
Tudo corria bem até que já bem perto do final da 1ª volta, Simão foi vítima de uma bárbara agressão de Ayala.
Perdeu quase a totalidade da 2ª volta e assinou pelo Benfica que tentava reestruturar a equipa depois do frustrante, penoso, horrendo, assombroso, ridículo 6º lugar.
Quanto a Quaresma, é verdade que falhou por completo em Barcelona. Esteve para falhar novamente no Porto, mas para mal dos nossos pecados ganhou “cabecinha” e é neste momento o jogador mais valioso de uma das melhores equipas do Mundo.
Sim, por muito que custe à concorrência, o Futebol Clube de Porto é uma das melhores equipas da actualidade, em nada inferior ao Manchester United de Cristiano Ronaldo.
Que tal dar ao “ciganito” o crédito que ele merece?
Fala-se tanto em Figo, Ronaldo, Deco e esquece-se o melhor jogador de campo a actuar em Portugal?

03 janeiro, 2007

O Senhor está de volta!

Há sensivelmente 2 anos quando criámos este mui nobre blog, o mister era um dos temas sobre o qual mais nos debruçávamos.
Relembrámos Carlos Cardoso e os 7-0 que o seu Setúbal enfardou em Roma, analisámos a carreira ímpar dessa autêntica maravilha da cultura táctica que é Luís Filipe Hipólito dos Reis Pedrosa Campos, delirámos com as vitórias além fronteiras de Henrique Calisto e do Professor Neca, rimos a bandeiras despregadas com as afirmações proferidas por Octávio Machado, rendemo-nos à abnegação de Armando Varinha que decidiu treinar os Nazarenos de graça, à borlinha ou simplesmente de borla e finalmente caímos para o lado inanimados quando Paulo Bento disse que era possível a bola ter entrado naquele famigerado Sporting –Leiria.
Na senda dessas postas gostosas saúdo o regresso ao banco de suplentes, como técnico principal, do mestre do “catenácio defensivo”, o grande, o inigualável, Carlos Cardoso, ou Charles Cardoso como é carinhosamente apelidado pelo pessoal de Sarrazola (Aveiro).
Não agouro nada de bom para Beira-Mar e Desportivo das Aves, envolvidos na luta pela manutenção com o Vitória.
Os Sadinos podem ter encontrado as chaves da permanência no futebol espectáculo defensivo de Carlos Cardoso.
Finalizo com o relato de uma bela tarde de Domingo em que eu e o meu amigo dos Santos nos deslocámos ao Municipal de Aveiro para assistir ao Beira-Mar – Vitória de Setúbal.
Quando presenciámos Carlos Cardoso, juntamente com Marco Tábuas a treinar o guardião Moretto, o dos Santos manda-me estas palavras sabedoras: “Eh pá, olha o Charles Cardoso a treinar o guarda redes! Foda-se, o homem é mesmo defensivo!”O resultado quedou-se por um empate a zero, mas valeu a pena. Assistimos a um autêntico choque de titãs, com Luís Campos a enfrentar a dupla maravilha José Rachão e Carlos Cardoso. Saímos todos a ganhar, nós e o futebol.