30 março, 2005

Quem é amigo? É o Celta de Vigo.


Outubro de 1999, o Benfica que havia sido derrotado recentemente sem apelo nem agrado pelo noso Porto no actualmente demolido Estádio das Antas (2-0), visitava os Balaídos com a esperança de fazer um bom resultado e trazer a decisão da eliminatória para a Luz.
Jupp Heynckes, antigo campeão europeu pelo Real Madrid e até então gozando de grande empatia por parte dos adeptos fez alinhar, perante 30 mil divertidos adeptos galegos, o seguinte onze.

Robert Enke na baliza (depois disto entendemos porque o rapaz quis sair do Benfica o mais rapido possível).
O quarteto defensivo era composto por Andrade, Ronaldo, Paulo Madeira e Rojas.
Meu Deus, que simbolismo!
Reparem bem na dupla de centrais Ronaldo e Paulo Madeira...(sem palavras), e os laterais? Andrade (um trinco adaptado a lateral direito, o que vem de encontro à minha teoria de que um trinco pode jogar em qualquer posição) e o argentino com cara de tio, Ricardo Rojas.
Rojas que havia sido testado a trinco (lá está!) no Estádio das Antas, foi o preferido para este embate em deterimento de outra lenda viva Sérgio Nunes (que alinhou contra o Porto tendo travado um interessante duelo com Nuno Rocha Capucho).
No meio campo tivemos, Poborsky e Maniche nas alas, Calado e Kandaurov no miolo.
Lá na frente a dupla de meninos de ouro, mas que não marcavam golos, João Vieira Pinto e Nuno Gomes.
Jogando na contenção, os encarnados viriam a ser traídos ao min. 19 quando Andrade carregou Gustavo Lopez dentro da área.
Karpin fez o 1-0.
Aos 30 min tabelinha entre Mostovoi e Makele, com este ultimo a fazer uma valente chapelada a Enke.
10 minutos volvidos e outra assistência de Mostovoi, desta vez para Turdô (jovem argentino de 19 anos) fazer o 3-0.
Aos 42 canto de Mostovoi (xiça que o homem estava mesmo com ganas) e Juan Fran fazia o 4-0 perante o desamparado guardiola alemão.
Para alegria de todos o intervalo chegou, as equipas recolheram aos balneários, de onde não voltou o ucraniano Sergei Kandaurov, surgindo na sua posição o marroquino Tahar El Kalej (era Jupp a arriscar fazendo entrar mais um trinco)
5 minutos volvidos e Gustavo Lopez isola Turdô que eleva para 5-0.
Aos 54 canto de Gustavo Lopes com Karpin a marcar de cabeça.
Com meia hora para jogar Mostovoi estabeleceu o resultado final após passe de Gustavo Lopez (outro?)
Até final os encarnados conseguiram manter invioladas as suas redes, dando uma prova cabaz de profissionalismo e do seu (não) estofo de campeão.
Á chegada a Lisboa milhares de adeptos furiosos esperavam os craques, proferindo palavras insultuosas...

É então que num momento épico e de profunda beleza, 2 dos adeptos mais mediatos do clube (o barbas e o taxista, têm um ataque de furia e agarrados a Nuno Gomes e dizem:
"Mas que benfiquistas são vocês? É este o amor que têm ao clube? Não vêm como estão os rapazes?"
Fez-se silêncio...e de repente canticos "Benfica, Benfica, Benfica", ecoram.

João Vale e Azevedo não se comoveu e ordenou que todo o plantel, pela voz do seu carismático capitão João Vieira Pinto, se desculpasse perante a nação benfiquista.

Na partida da segunda mão o Benfica limpou de certa forma a sua imagem, impondo um empate a 1-1 aos suplentes do Celta de Vigo.
Os golos foram Benni Mcharty e de Kandaurov.
Espero que depois deste post não me venham mais acusar de ser benfiquista,...nem portista, nem sportinguista.
O meu clube é o futebol bem jogado, a minha paixão são os trincos, o meu melhor amigo é o Zé Mourinho e as minhas referências são Carlos Cardoso, José Rachão, Armando Varinha, Mister Luis Campos e o professor Neca.

1 Comments:

At 10:26 da manhã, Blogger Papá Urso said...

que bela recordação! :)))

depois de ler estas linhas dei por mim a olhar para o infinito e com um sorriso nos lábios...

 

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