28 junho, 2006

Campeonatos do Mundo - França 1998


Jules Rimet teria ficado radiante se tivesse visto o Mundial realizado em França, 60 anos depois de idealizar o maior torneio de futebol do planeta. E se fosse testemunha da vitória do seu país natal, de certeza que não teria contido a emoção.
Portugal entrou mal na fase de qualificação: empatou na Arménia e perdeu com a Ucrânia em Kiev. Porém, as vitórias caseiras sobre estas duas equipas e sobre a Albânia deram algum ânimo. Partíamos para Berlim com esperanças de repetir o apuramento como naquele dia em que Carlos Manuel atirou uma bomba do meio da rua em Estugarda e Bento viu várias bolas acertarem nos ferros da sua baliza. E tal esteve muito perto. Pedro Barbosa, que quando queria mostrava ser um dos portugueses mais talentosos da história do nosso futebol, inaugurou o marcador. Porém, Marc Batta tentou arranjar um pretexto para beneficiar os germânicos…e conseguiu. O francês quis ver uma substituição retardada por Rui Costa e o nº10 foi expulso, sob o olhar incrédulo da comitiva lusa e, certamente, da maioria dos adeptos da casa. Os anfitriões empataram e a vitória por 1-0 frente à Irlanda do Norte em Lisboa não serviu de nada, a não ser para confirmar um injusto 3º lugar no grupo.
A FIFA alargou o modelo da competição para 32 equipas dividas por 8 grupos (semelhante ao de hoje), dando mais hipóteses às confederações mais fracas de participar. 174 Equipas tentaram a sua sorte nas rondas de apuramento, graças ao novo formato mais apelativo.
O Brasil não pôde apresentar a temível dupla Ronaldo/Romário, devido à lesão do baixinho pouco tempo antes do início do Mundial. Bebeto , Rivaldo e Giovanni eram as alternativas…de luxo.

Grupo A: Brasil, Escócia, Noruega e Marrocos

O torneio começou com um Brasil-Escócia em que os canarinhos levaram a melhor por 2-1. César Sampaio marcou o 1º golo do evento a passe de Bebeto. Seria provável que Marrocos ocupasse o 2º lugar, depois de um empate a 2 bolas com os noruegueses( o sportinguista Hadji marcou a passe do benfiquista Tahar e o portista Chippo fez um auto-golo) e de uma vitória esmagadora(3-0) frente aos escoceses. Mas os escandinavos acabaram por conquistar uma surpreendente vitória frente ao Brasil. Bebeto inaugurou o marcador e Tore Andre Flo empatou 5 minutos volvidos. A 1 minuto dos 90, Rekdal marcou de penalty e remeteu os africanos para o 3ª posto.


Grupo B: Itália, Chile, Camarões e Áustria

A Itália começou por ceder um inesperado empate frente aos chilenos(2-2). Marcelo Salas bisou e os sul-americanos estiveram mesmo em vantagem até aos 85`, quando Roberto Baggio empatou, de penalty. Transalpinos venceram Camarões(3-0) e Áustria(2-1) e garantiram o 1º lugar. A selecção da mítica dupla Zamorano/Salas ficou em 2º. Os africanos foram a grande desilusão: Jacques Songo´o, Omam-Biyick, Wome, Mboma, Song e Job terminaram no último posto, atrás de uma selecção que tinha Andreas Herzog e pouco mais.

Grupo C: França, Arábia Saudita, África do Sul e Dinamarca

A Frana dominou por completo nesta fase, derrotando Arábia Saudita(4-0) e África do Sul(3-0), só sentido dificuldades para bater a Dinamarca(2-1). Emmanuel Petit desbloqueou o marcador após penaltys convertidos por Djorkaeff e Michael Laudrup. Os nórdicos venceram os sauditas por 1-0 e, frente aos sul-africanos, Benny McCarthy(então uma jovem estrela do Ajax) roubou-lhes um triunfo ao marcar o 1-1. Anfitriões e Dinamarca seguiram em frente.


Grupo D: Espanha, Bulgária, Nigéria e Paraguai


Os espanhóis não conseguiram o apuramento para os oitavos-de-final, de forma escandalosa. Frente à Nigéria, Hierro ainda marca um livre de forma soberba. Adepoju empatou e Raul repôs a vantagem no início do 2º tempo. Porém Zubizarreta conseguiu desviar para a sua baliza um cruzamento de Lawal e Oliseh, 5 minutos depois, desferiu uma bomba do meio da rua que o guarda-redes do Valência não conseguiu suster. Os africanos ganhariam ainda à Bulgária, com golo de Ikpeba, ocupando o 1º posto.
Os paraguaios só precisaram de dois nulos e de uma vitória sobre os africanos(3-1) para se apurarem. Os búlgaros, com Iordanov, Balakov, Kostadinov e Stoichkov, só pontuaram no 0-0 frente aos sul-americanos. No último jogo foram mesmo humilhados pela Espanha, perdendo por 6-1, num jogo em que Morientes e Kiko bisaram.

Grupo E: Holanda, México, Bélgica e Coreia do Sul

Esperava-se que a Holanda não tivesse tantas dificuldades em obter o 1º lugar…para tal manietou a Coreia(5-0), mas não conseguiu vencer belgas(0-0) nem mexicanos(2-2).
A selecção do excêntrico Jorge Campos e do goleador Luís Hernandez também se qualificou com 5 pontos, vencendo a Coreia por 3-1 e empatando com a Bélgica(2-2). Luc Nilis, o brasileiro naturalizado Oliveira e Marc Wilmots foram impotentes na tentativa de qualificação dos belgas.

Grupo F: Alemanha, Jugoslávia, Irão e E.U.A.

Alemanha e Jugoslávia qualificaram-se para os oitavos-de-final com 7 pontos. Os homens dos Balcãs, com uma equipa onde militavam Mijatovic, Milosevic, Mihajlovic e o mítico…Ivica Kralj, realizaram uma primeira fase de luxo. Mihajlovic, bem ao seu estilo, converteu em golo um livre que deu a vitória frente aos asiáticos. O resultado repetiu-se frente aos americanos e os sérvios estiveram em vantagem frente à Alemanha, mas Bierhoff deu o empate a 2. Os germânicos apresentaram uma selecção extremamente envelhecida. 7 dos jogadores do 11 titular estavam em final de carreira…
Curiosamente, o embate que mais notoriedade obteu foi o Irão-E.U.A., marcado pelas relações políticas entre os dois países. Até Bill Clinton se pronunciou acerca da partida. Estili e Mahdavikia marcaram e os iranianos fizeram a festa. De nada serviu o tento de McBride


Grupo G: Inglaterra, Roménia, Colômbia, Tunísia

A Roménia do “Maradona dos Cárpatos”, Hagi, venceu o grupo ao derrotar a Inglaterra, que se quedou pelo 2º lugar, por 2-1. Munteanu assistiu Petrescu para o golo da vitória(já após os 90`), de nada valendo o tento de Michael Owen. Os “bifes” derrotaram a Tunísia e a Colômbia, em ambos os jogos por 2-0. O jovem Beckham marcou, de forma sublime, o livre que confirmou a vitória frente aos colombianos. Os adeptos de terras de Sua Majestade tinham no médio do Manchester a principal bandeira na tentativa de alcançar algum sucesso no Mundial. A Roménia venceria a equipa do mítico Valderrama com um golo de Adrian Ilie e empataria com a Tunísia num jogo em que as principais estrelas da formação do leste ficaram de fora.


Grupo H:Argentina, Croácia, Jamaica e Japão

A Argentina acabou esta fase com 7 golos marcados e nenhum sofrido, ocupando o 1º lugar. Batistuta era o goleador de serviço e marcou 4 golos(3 na vitória por 5-0 com a Jamaica e 1 no triunfo frente ao Japão por 1-0) e Ariel Ortega era apontado como o novo Maradona(1 dos 415412385715 jogadores apontados como “Novo Maradona”).
A Croácia também tinha as suas estrelas e mostrou isso mesmo ao derrotar Jamaica(3-1) e Japão(1-0). Suker tinha instinto matador, Boban era o organizador de jogo e Stanic e Prosinecki traziam magia à equipa. No jogo em que estava em causa ficar a saber quem seria o bombo da festa, os homens das Caraíbas levaram a melhor sobre os nipónicos.


Oitavos-de-Final:

Depois da vitória sobre o Brasil, a Noruega acreditava em voos mais altos. Mas uma poderosa Itália acabou por fazer os escandinavos esquecer o seu sonho. Com Del Piero e Vieri numa fase excelente das suas carreiras, os transalpinos seguiram em frente com um golo do ponta-de-lança que jogava, então, no Atlético de Madrid. O Brasil não deu qualquer hipótese ao Chile. O trinco César Sampaio e Ronaldo bisaram…e de nada valeu o tento de Salas.
No primeiro jogo decidido através da regra do “golo de ouro”, Laurent Blanc deu a vtória à França frente ao Paraguai, depois de um nulo no fim dos 90 minutos. Os paraguaios estavam apostados em arrastar a partida até aos penaltys, devido à experiência do mítico José Luís Chilavert. Com um futebol de ataque impressionante, dinamarqueses esmagaram nigerianos por 4-1. Michael Laudrup era o cérebro da equipa e deu dois a marcar. O guarda-redes africano Peter Rufai, filho do Rei da Nigéria, foi impotente para travar as investidas nórdicas.
Num jogo muito equilibrado, em Montpellier, o México esteve em vantagem sobre a Alemanha graças a um tento de Luís Hernandez, o então mais respeitado jogador da formação da América central. A um quarto de hora do final, Jurgen Klinsmann iniciou a reviravolta que culminou no 2-1 apontado por Bierhoff, o desconhecido que tinha saltado para a ribalta no euro 96, ao dar a vitória na final à Alemanha. Num jogo emocionante, a Holanda derrotou a Jugoslávia por 2-1. Davids facturou já após o minuto 90, a passe de Ronald de Boer. Davor Suker marcou o penalty que qualificou a Croácia para os quartos-de-final, frente à Roménia.
Num jogo que ainda hoje é recordado, a Argentina inaugurou o marcador, de penalty, por Batistuta, mas Shearer empatou para a Inglaterra 4 minutos depois. Aos 16 minutos, o puto de 18 anos Michael Owen passou por toda a gente e fuzilou Carlos Roa. Veron ainda assistiu Zanetti para o 2-2…mas o caso do jogo deu-se as 47 minutos. O capitão da selecção das Pampas, Diego Simeone, teve uma entrada muito dura sobre Beckham. O jovem do Manchester não esteve com meias medidas e respondeu com um pontapé, tendo sido expulso imediatamente. A Inglaterra não conseguiu confirmar o ascendente que até então vinha evidenciando…e David Batty e Paul Ince remataram para as nuvens no desempate por grandes penalidades. Com esta derrota, a imprensa e adeptos ingleses criticaram Becks durante meses a fio(chegou mesmo a ser assobiado em Old Trafford por causa deste episódio).

Quartos-de-Final:

Os anfitriões seguiram em frente após um confronto com a Itália em que nem Barthez nem Pagliuca viram as suas redes violadas durante 120 minutos. Di Biagio atirou à barra, na marcação das grandes penalidades, e Aime Jacquet começava a calar os críticos, principalmente aqueles(como Le Pen) que faziam oposição à convocação de jogadores nascidos em território africano. A vitória gaulesa foi, ao fim ao cabo, um pontapé na xenofobia e no racismo.
Num confronto espectacular, a Dinamarca até começou por causar grandes calafrios ao Brasil de Zagallo. Jorgensen abriu o marcador aos 2` e Bebeto empatou aos 11`. Rivaldo bisaria e os canarinhos seguiam para as meias-finais, apesar de Brian Laudrup ainda ter reduzido. No Holanda- Argentina, Bergkamp resolveu a partida ao tirar Ayala do caminho como se este fosse uma criança de 4 anos, com um toque subtil, marcando de seguida 2-1 para os holandeses já para lá do minuto 90. A Croácia esmagou a Alemanha com largos 3-0. Jarni, Vlaovic e Suker foram os carrascos.


Meias-Finais:

Em Marselha, Ronaldo abriu o activo a passe de Rivaldo aos 46`, mas, já ao cair do pano, Kluivert respondeu bem de cabeça ao cruzamento de Ronald de Boer. Em mais um jogo decidido nas grandes penalidades, Taffarel foi o herói de serviço, ao defender os penaltys de Cocu e Ronald de Boer.
Liliam Thuram nunca tinha marcado ao serviço da sua selecção. Mas, frente á Croácia no Stade de France, respondeu ao golo do artilheiro Suker com um remate bem colocado de meia-distância, festejando o tento de joelhos no relvado e ar pensativo. E não se contentou, ainda assim: aos 69´ viria a colocar a sua selecção no derradeiro jogo da prova. Acabou levado às cavalitas pelos colegas.

Final:

Zagallo insistiu em Ronaldo, apesar de um suposto ataque de epilepsia do “Fenómeno” na noite que antecedeu o encontro. E realmente foi notório o deficiente estado físico do atleta. Para além das suas já evidenciadas dificuldades, Barthez ainda se encarregava de cair para cima da principal estrela canarinha em diversas disputas de bola.
Zidane começou a construir o triunfo após um canto. Assistido por Emmanuel Petit, marcava da cabeça. À entrada para o intervalo, Zizou repetiu a façanha da mesma forma. Desta vez foi Djorkaeff quem fez o passe. A meio do segundo tempo os brasileiros ganharam algum ânimo. Desailly foi expulso, Ronaldo proporcionou uma excepcional defesa a Barthez e Denilson atirou à barra. Mas a Jules Rimet estava destinada a acabar em mãos francesas. Num rápido contra-ataque, Taffarel viu Petit não perdoar o golo. E já Dugarry tinha desperdiçado uma oportunidade de forma escandalosa. Deschamps levantou a taça em primeiro lugar devido ao castigo de Laurent Blanc, expulso nas meias-finais.
Quanto á medalha de prata, os croatas fizeram história na sua primeira participação, batendo a Holanda por 2-1. Prosinecki ainda tinha 29 anos mas já apresentava debilidades físicas que condicionavam…talvez com este craque em melhor forma(que fez o 1º golo contra a Laranja Mecânica) a Croácia não tivesse sucumbido ao favoritismo gaulês nas meias-finais. Suker, esse, ficou para a história como um dos grandes finalizadores da história dos Mundiais.



França: Barthez, Lizarazu, Desailly, Thuram, Leboeuf, Djorkaeff, Deschamps, Zidane, Petit, Karembeu, Guivarc´h


Brasil: Taffarel, Cafu, Aldair, Junior Baiano, Roberto Carlos, César Sampaio, Dunga, Rivaldo, Leonardo, Ronaldo, Bebeto.



Melhores Marcadores:
-Suker(Croácia): 6 golos
-Batistuta(Argentina): 5 golos
-Vieri(Itália): 5 golos
-Salas(Chile): 5 golos
-Ronaldo(Brasil): 4 golos
-Hernandez(México): 4 golos

7 Comments:

At 1:17 da tarde, Blogger José Cavra said...

É caso para dizer: "Et on lui pelera le jonc, à la mode de chez nous"!

 
At 12:22 da tarde, Anonymous Porfírio said...

Grande França!

ps: sempre me perguntei como é que na equipa do Brasil cabem sempre uns jogadores meio foleiros como o Vampeta, o Zinho, o Mazinho, o Junior Baiano e o César Sampaio.

 
At 12:58 da tarde, Blogger José Cavra said...

Vampeta?
Acho q esse jovem posou nu para uma revista.
Que seriedade!

 
At 3:55 da tarde, Anonymous porfírio said...

Os melhores apontamentos técnicos do Vampeta foram:

- com o jogo a correr, ter-se sentado sobre a bola, no meio de um "amigável" entre PSG e Benfica (diga-se que na sequência de tal floreado, salvo erro o Marchena encarregou-se de lhe largar um tremendo estalo nas ventas);
- ter comentado a sua passagem pelo Flamengo do seguinte modo: "eles fingiam que me pagavam e eu fingia que jogava".

 
At 1:03 da tarde, Blogger José Cavra said...

Outro grande jogador do Brasil de 1998 era o Doriva!

 
At 11:49 da tarde, Anonymous Anónimo said...

ALLEZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ FRANCEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

 
At 11:50 da tarde, Anonymous Anónimo said...

ALEZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ FRANCEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

 

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