19 junho, 2006

Campeonatos do Mundo - Itália 1990


A Itália tornou-se o 2º país a acolher 2 Mundiais (o 1º foi o México e o 3º a Alemanha). A construção dos estádios atrasou-se bastante, mas tudo ficou pronto aquando da data prevista para o início do torneio. A única "barraca" aconteceu na cerimónia de abertura, quando a ordem dos discursos foi alterada e nem o presidente da FIFA nem o representaste da organização tiveram a oportunidade de discursar.
Este é considerado por muitos o pior Mundial de sempre. Poucos golos e um número reduzido de jogos de qualidade marcaram o certame para sempre. Foi batido o recorde da pior média de golos por jogo de sempre (2,1 golos por jogo), contrastando com os excepcionais 5,4 do Suiça 54. Na qualificação, Portugal ficou no grupo do Luxemburgo, Bélgica, Checoslováquia e Suiça. Artur Jorge substituiu Júlio Cernadas Pereira “Juca” durante esta fase e estivemos perto de viajar para Itália. Mas uma derrota e um empate com os checos deitou tudo a perder. A equipa das quinas terminou em 3º lugar.
As grandes estrelas do futebol mundial não se apresentaram à altura da sua qualidade, a começar por “El Pibe” Diego Maradona. Ele, Caniggia e mais nove…era assim a Argentina.
As equipas foram divididas em 6 grupos. Passavam à 2ª fase os dois primeiros de cada agrupamento e os quatro melhores classificados em 3º lugar.

Grupo A: Itália, Checoslováquia, E.U.A. e Áustria

A Itália parecia não conseguir desbloquear o resultado frente à Áustria e, até perto do final, o marcador assinalava um teimoso 0-0. Assim continuou até ter entrado um tipo baixinho de nome Toto Schillaci. Relativamente desconhecido, sendo regularmente preterido em relação a jogadores como Vialli ou Carnevale, o avançado da Juventus saltou para a ribalta devido à sua excelente prestação neste Mundial. Os translpinos acabaram por vencer os 3 jogos (1-0 com a Áustria, 2-0 com os checos e 1-0 aos Estados Unidos) e o grupo. A Checoslováquia também se qualificou, só perdendo com os anfitriões.

Grupo B: Camarões, Argentina, Roménia, União Soviética

Foi aqui que se verificou a primeira grande surpresa. Oman Biyik marcou o único golo no confronto entre os africanos e os homens do país das Pampas e levou a sua equipa ao primeiro posto do grupo. Os Leões Indomáveis derrotaram ainda a Roménia com golos desse pós-moderno de 38 anos de nome Roger Milla.Até os romenos remeteu os campeões do mundo para 3º lugar, ao ganhar a soviéticos e empatar com argentinos. Apesar disso, Maradona e companhia passaram devido ao factor “melhores 3ºs lugares”.

Grupo C: Brasil, Costa Rica, Escócia, Suécia

Os canarinhos qualificaram-se sem qualquer problema. Numa equipa onde também militavam Taffarel, Mozer e Dunga, Careca marcou os 2 golos da vitória frente à Suécia(2-1), após assistências de Muller e Branco.Venceram também a Escócia(1-0) e a Costa Rica(1-0). Costa-riquenhos também seguiram em frente. Com o México banido da competição, os representantes da CONCACAF deram algumas alegrias à sua confederação. Nessa equipa de 1990 jogava o actual técnico da selecção, o brasileiro naturalizado Alexandre Guimarães.

Grupo D: Alemanha Ocidental, Jugoslávia, E.A.U. e Colômbia

Do lado germânico esteve o melhor jogador da competição, Lothar Matthaus. Na frente estava a temível dupla Voller & Klinsmann, enquanto o lateral-esquerdo Brehme era outro dos pilares. Assim, a Jugoslávia foi goleada pela “Mannschaft”(4-1), tal como os Emiratos Árabes Unidos. Com a Colômbia de Higuita assistiu-se a um empate(1-1). Sul-americanos(3 pontos) e os homens dos Balcãs(4) passaram também à segunda fase, juntamente com aqueles que viriam a ser campeões do mundo.

Grupo E: Bélgica, Coreia do Sul, Uruguai e Espanha

A Espanha venceu este grupo muito graças à inspiração do jogador do Real Madrid Michel. No jogo com a Coreia, o avançado marcou um livre de forma sublime: descaído para o lado esquerdo do terreno, aplicou um efeito à bola que a fez sobrevoar a barreira e entrar ao canto da baliza depois de um incrível arco. A Bélgica de Preud´Homme só falhou frente a “nuestros hermanos”, perdendo por 2-1 e acabando no 2º lugar. Enzo Francescoli e o seu Uruguai apuraram-se em 3º.

Grupo F: Inglaterra, Irlanda, Egipto, Holanda

Em 6 jogos…7 golos. Assim foram os números neste grupo. Bobby Robson treinou Lineker, a principal figura dos vencedores deste agrupamento. A Inglaterra ganhou 1-0 ao Egipto e empatou com Irlanda e Holanda(1-1 e 0-0, respectivamente). O então capitão irlandês é bem conhecido dos adeptos do futebol britânico: o ex-treinador do lanterna vermelha Sunderland e seleccionador do seu país em 2002, Mick McCarthy. Da Laranja Mecânica, 3ª nesta fase(atrás de ingleses e irlandeses), falaremos mais à frente.

Segunda fase:


A organização de uma equipa, a sua forma física e a assimilação de princípios de jogo é essencial no futebol e pode ofuscar o talento individual. E isso é notório nos jogos em que os pequenos batem o pé aos favoritos. Mas é igualmente verdade que um só jogador pode resolver um jogo. E a 24 de Junho de 1990, em Milão, quando Holanda e Alemanha disputavam o acesso aos quartos-de-fianl, isso foi visível.
Ao minuto 20, Voller foi expulso e Rijkaard seguiu-lhe os passos em direcção aos balneários, depois de cuspir no avançado por 2 vezes. A Laranja parecia ter a organização necessária para colmatar a falta de um jogador influente, mas o destino apontava para a glória alemã. Ajudado por Matthaus e Littbarski, Klinsmann fez o jogo da sua vida. Jurgen cortou um mau passe no inicio do 2º tempo e abriu o marcador. Brehme deu a estocada final aos 84`. Ronald Koeman ainda marcou de penalty, mas já era tarde. 16 anos depois o “Palhaço Ronald” voltaria a sentir o sabor do insucesso, ao liderar um clubezeco de um bairro de Lisboa.
Roger Milla marcou mais dois golos à Colômbia, na vitória camaronesa por 2-1. Foi preciso esperar até à 2ª parte do prolongamento para ver a bola entrar na baliza. A selecção africana tinha já o seu campeonato feito, consumando-se o estatuto de sensação da prova. A Checoslováquia derrotou a Costa Rica por 4-1 e os brasileiros desiludiram ao perder com a Argentina(1-0). Maradona assistiu Caniggia para o tento.
Depois de um jogo sem golos, a República da Irlanda derrotou a Roménia nos penaltys. David O´Leary marcou a grande penalidade decisiva. Os anfitriões derrotaram o Uruguai com golos de Toto Schillaci e Serena. Stojkovic marcou os golos da vitória da Jugoslávia sobre a Espanha, respondendo ao tento de Júlio Salinas(2-1) e a Inglaterra obrigou a Bélgica a fazer as malas graças à inspiração de David Platt(1-0)

Quartos-de-Final:


Os Camarões estiveram perto das meias-finais. As “Milla e uma noites” africanas(um trocadilho ao nível de José Marinho) obrigaram Robson a pensar fazer as malas. O jogo foi decidido através da marcação de dois penaltys cometidos sobre Gary Lineker e convertidos pelo mesmo. O secretário de Estado dos E.U.A., Henry Kissinger, adepto fervoroso do desporto-rei, chegou a dizer nesse dia: “Eles têm o futebol no corpo e praticam o jogo do século XXI. Fazem lembrar os brasileiros".Platt marcou primeiro. Milla sofreu o penalty que deu o 1-1 e assitiu Ekeke no 2-1, depois de deixar para trás Gascoigne, Wright e Platt.
Matthaus marcou o penalty que eliminou os checoslovacos e Schilacci deu também a vitória à sua Itália ante a Irlanda. A Argentina derrotou a Jugosláia depois de um resultado de 3-2 no desempate na marcação de grandes penalidades(0-0 aos 120`).

Meias-Finais:

A Alemanha e a Inglaterra defrontaram-se e proporcionaram um espectáculo fantástico, decidido no desempate por penaltys. Aos britânicos eram dirigidas críticas relativamente ao trabalho do seleccionador e falta de jogadores de topo. Paul Gascoigne chorou perante as câmaras após a derrota por 4-3, tornando-se o menino bonito dos “media” e dos adeptos ingleses. José Roberto Wright deixou jogar e conduziu o jogo de forma exemplar. Os alemães não se adaptavam a este estilo de arbitrar…mas os seus adversários estavam radiantes pela forma de dirigir uma partida típica da velha Albion. Brehme abriu o marcador com um remate que embateu em Parker antes de sobrevoar Peter Shilton. Lineker empatou aos 80 minutos. Pierce e Waddle falharam nos penaltys e viram a sua equipa ser eliminada.
No outro jogo, a Itália abriu o marcador por intermédio de…claro…Schilacci, a passe de Gianluca Vialli. Cannigia empatou aos 67`. O resultado foi decidido também através da lotaria das grandes penalidades e o marcador registou números iguais aos da outra partida…4-3, favorável à Argentina. Donadoni e Serena falharam, “El Pibe” marcou o ultimo dos homens das Pampas.


A final do Estádio Olímpico de Roma foi um jogo feio, que não ficou guardado de forma especial na memória dos que assistiam em todo o Mundo( a não ser na Alemanha, claro). Cannigia não actuou por castigo e Maradona era tudo o que restava aos albicelestes. Mas a organização adversária não o deixou brilhar. O árbitro Edgardo Codesal não viu um penalty do alemão Augenthaler e outro do argentino Monzón. Aos 85 minutos, Andreas Brehme converteu o penalty que recentemente afirmou não ter existido…O triunfo acabou por ser merecido, uma vez que o pragmatismo e eficácia alemãs ofuscaram uma Argentina que se resumiu às tentativas de ataque inconsequentes do melhor jogador do mundo na época. A Itália derrotara a Inglaterra por 2-1, ficando com a medalha de bronze do Mundial de 1990.


Alemanha: Illgner, Berthold(Reuter), Kohler, Augenthaler, Buchwald, Brehme, Littbarski, Hassler, Matthaus, Voller, Klnsmann.

Argentina: Goycochea, Lorenz, Serrizuela, Sensini, Ruggeri(Monzon), Simon, Basualdo Burruchaga(Calderón), Maradona, Troglio, Dezotti

Melhores Marcadores:
Schillaci(Itália) – 6 golos;

Skuhravy(Checoslováquia) – 5 golos;

Michel (Espanha),

Milla(Camarões),

Matthaus(Alemanha),

Lineker(Inglaterra) – 4 golos

9 Comments:

At 7:15 da tarde, Anonymous Apre said...

A Colômbia de Valderrama, Asprilha, Adolfo Valência e o outro do quarteto maravilha, foram a equipa mais espectacular do Mundial, deram um baile à Alemanha que conseguiu um empate honroso a 1-1.

 
At 7:16 da tarde, Blogger Apre said...

A Colômbia de Valderrama, Asprilha, Adolfo Valência e o outro(el trem?) do quarteto maravilha, foram a equipa mais espectacular do Mundial, deram um baile à Alemanha que conseguiu um empate honroso a 1-1.

 
At 7:37 da tarde, Blogger hugo said...

Fantástica a jogada de Maradona e Caniggia na vitória sobre o Brasil nos oitavos de final

 
At 10:54 da manhã, Blogger Rotura de ligamentos said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

 
At 11:01 da manhã, Blogger Rotura de ligamentos said...

Apre, o "El Tren" é o próprio Adolfo Valencia, que atingiu o auge no Bayern uns anos mais tarde. Talvez te estejas a referir ao Fredy Rincón.

Mas sim, Mandamil. A Argentina de Bilardo em 90 era bastante limitada do ponto de vista técnico. E Maradona jogou infiltrado durante o Mundial (creio que no tornozelo). Lembras-te do golo do Platt contra a Bélgica?

 
At 11:51 da manhã, Blogger Gilberto Mandamil said...

Um pontapé à meia-volta depois da marcação de um livre...como disse Zé Marinho acerca do golo de Joe Cole ontem: "A imperfeição humana tem destas coisas...sinto-me imperfeito por não ter 10 mãos para poder bater mais palmas a este golo."

 
At 5:04 da tarde, Blogger Rotura de ligamentos said...

pensei que era imperfeito por não ter 10 mãos para tapar a boca.

 
At 5:35 da tarde, Blogger José Cavra said...

No golo do Joe Cole o Isakson não fez tudo!

 
At 6:01 da tarde, Blogger Jorge Kataklinsmann said...

Pareceu-me que o Isaksson não fez tudo em ambos os dois golos...

 

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