10 junho, 2006

Campeonatos do Mundo - RFA 1974


Pareciam uma banda hippy dos anos 60. Fumavam e bebiam até altas horas da noite, mas a sua prestação no relvado não era afectada. Pelo contrário: o “futebol total” que estes holandeses praticavam colocou-os lado a lado com as outras grandes potências europeias, que dominaram este torneio. Cruyff, Neeskens e Rep era as principais figuras do inovador 4-3-3 introduzido pelo mítico técnico Rinus Michels, que deixava para trás o rígido 4-2-4. Este “futebol rotativo” consistia no facto de toda a equipa atacar e de toda a equipa defender, um conceito inspirado no whirl (turbilhão) que o austríaco Willy Meisl tentou implementar nos anos 50.
A Inglaterra nem chegou a pôr os pés em território alemão: a Holanda e a Polónia( onde pontificava o goleador careca Lato) deixaram os britânicos pelo caminho.Portugal começou bem ao vencer o Chipre, mas vacilou perante a Bulgária e a Irlanda do Norte, na fase de qualificação. A 1ª fase seria disputado em 4 grupos e a ronda seguinte também, mas desta vez com apenas 2 agrupamentos. Assim(equipas apuradas a Bold):
Grupo 1: RDA; RFA; Chile; Austrália
Grupo 2: Jugoslávia; Brasil; Escócia; Zaire
Grupo 3: Holanda; Suécia; Bulgária; Uruguai
Grupo 4: Polónia; Argentina; Itália; Haiti

Este foi o primeiro mundial visto a cores na TV e teve um interessante duelo entre as duas Alemanhas. A anfitriã RFA( de Beckenbauer e Breitner) perdeu por 1-0. O treinador Helmut Schon era um dos grandes focos de contestação e os alemães ocidentais pouco ou nada acreditavam numa vitória absoluta na prova. Só os golos de Muller, as investidas de Beckenbauer e a consistência de Breitner e Vogts superavam as divisões internas no seio da selecção. Diz-se que foi o "Kaiser" que liderou o conjunto, tal era a antipatia com o técnico.
A Argetina eliminou a Itália pela diferença de golos, ao golear o Haiti por 4-1, Haiti esse que foi manietado pela Polónia, com “escassos” 7-0. O Brasil, sem Pelé, desiludiu ao empatar a 0 com Jugoslávia e Escócia. Só venceu por 3-0 o Zaire, que já tinha sofrido 9 golos da selecção Balcânica e 2 da Escócia. A Holanda não dava quaisquer hipóteses aos adverários: venceu o Uruguai por 2-0, a Bulgária por 4-1 e descansou com a Suécia, empatando a 0.

Na fase seguinte, Holanda iria impor-se com esclarededores 4-0 à Argentina. Cruyff bisou e ainda assistiu Rep para o terceiro golo. Despacharam igualmente o Brasil, por 2-0, e a RDA, pelo mesmo resultado. Dos canarinhos apenas um bom apontamento: o livre magistral que Rivelino marcou ao guarda-redes da Alemanha Oriental Croy, que ficou petrificado. A RFA teve de esperar pelo último jogo para saber se iria jogar a final. O terreno era pouco propício à prática do futebol e os germânicos só se deram bem devido à sua excelente condição física. Hoeness marcou um penalty que Tomaszewsi defendeu, mas, na recarga, o “bombardeiro” Gerd Muller não perdoou.
No jogo para o 3º lugar, o mágico Grzegorz Lato consolidou a sua posição de melhor marcador do torneio, facturando o 1-0 final. O Brasil era a decepção da prova, numa equipa cujo capitão era o nosso bem conhecido Marinho Peres e onde pontificavam Jairzinho e Emerson Leão.

Na partida decisiva, os anfitriões entraram a perder: os holandeses trocaram a bola calmamente, chegaram à área contrário e Cruyff foi derrubado por Hoeness. Neeskens converteu em golo o penalty. Era o golo mais rápido de uma final e o primeiro a ser marcado de grande penalidade. Mas o que caracterizava os alemães era a sua capacidade mental para nunca mostrarem focos de desmotivação. Holzenbein opta por se atirar para o chão na grande área, após aproximação de Jansen. O árbitro vai na conversa e Breitner aproveita da melhor forma. 1-1 e tudo em aberto. Ao minuto 43, Muller, que estava de costas para a defesa holandesa, deu meia-volta em plena área do guarda-redes e fuzilou Jongbloed. Era o seu 68º golo, o último e o mais importante da sua carreira.
Deste Mundial saltaram para a ribalta duas estrelas: Beckenbauer, o libero que era o 1º avançado da sua equipa, e Cruyff, célebre pelos golos às potências sul-americana, Brasil e Argentina.


RFA:
Maier; Vogts; Schawrzenbeck; Beckenbauer; Breitner; Hoeness; Grabowski; Bonhof; Overath; Muller; Hoelzenbein

Holanda:
Jongbloed; Suurbier; Haan; Rijsbergen(De Jong); Krol; Jansen; Van Hanegem; Neeskens; Rep; Cruyff; Resenbrinck(van Kerkhof)

Marcadores: Neskens(2); Breitner(25); Muller(43)

Árbitro: John Taylor

Melhores marcadores:

Grzegorz Lato(Polónia) - 7 golos

Andrzej Szarmach(Polónia)- 5 golos

Johan Neeskens(Holanda)- 5 golos

Gerd Muller (RFA) - 4 golos

2 Comments:

At 7:39 da tarde, Blogger Jorge Kataklinsmann said...

Gilberto pá, desconcordo contigo na maneira como falas no penalty que deu o empate à Mannschaft frente à Holanda. Para mim foi tão penalty como o que deu o golo aos laranjas. Há poucas semanas deu na SportTV o filme desse Mundial e na segunda parte ficou outro penalty por marcar a favor da Alemanha, novamente sobre Hölzenbein (a propósito, o melhor marcador da história do grande Eintracht) e houve um golo muito mal anulado por fora-de-jogo, após um cruzamento de Grabowski (o melhor nº10 da história do grande Eintracht). Portanto, a história de que a Holanda foi prejudicada só pode ter a ver com a simpatia despertada pelo futebol bonito que jogava.

 
At 10:26 da manhã, Blogger Apre said...

Uma pena a laranja mecânica ter falhado este titulo mundial.

 

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