13 fevereiro, 2007

Armstrong ou Merckx?

No ano passado presenteamo-vos com o mítico engate da tropa, as artimanhas que fazem os leitores deste blog serem apelidados não só de militaristas mas também de Casanovas, Don Juans, love machines, prostitutos desta esquina que é a vida...
Em 2007, vamos desvendar (ou pelo menos tentar) um dos maiores enigmas do desporto mundial.
A mítica pergunta que o já saudoso Jorge Kataklisnmann um dia me levantou: “Será que por tudo aquilo que fez, Lance Armstrong não poderá ser considerado o melhor ciclista de todos os tempos em vez de Eddie Merckx?
Pergunta deveras complicada fazendo relembrar o eterno confronto fantasia entre Rocky Marciano e Ali, que serviu inclusive como ideia base para Rocky 6. Diziam os peritos que Marciano venceria Ali, facto que deixou bastante irritado o melhor pugilista de pesos pesados da história do boxe.
Lance seria sem dúvida o melhor se o ciclismo se restringisse pura e simplesmente à Volta a França.
Contudo, existem também a Volta a Itália e a Volta a Espanha e nessas o norte americano nunca tentou a sorte, ao contrário do Merckx que junta às 5 vitórias no Tour, 5 no Giro e 1 na Vuelta.
Nas vitórias em etapas Lance fica claramente a perder, tem 22 no Tour, enquanto Eddie Merckx conta com 34 no Tour, 24 no Giro e 6 na Vuelta. A alcunha de canibal teria que vir de algum lado, o belga era mesmo um “papa-etapas”.
Ao nível dos mundiais de estrada, nova vantagem para Merckx, que foi campeão por 3 vezes contra apenas 1 de Lance.
Em abono de Armstrong o facto de quando voltou após o cancro, jamais ter sido vencido numa grande competição. Retirou-se no auge dando a noção que ninguém o conseguia vencer. Ele era mais forte física e psicologicamente do que a concorrência.
É ponto assente que Eddie Merckx supera Lance Armstrong em termos de resultados globais.
Nunca vi o belga correr, mas vi Lance e posso dizer com toda a convicção que ele era mais forte do que Miguel Indurain, o último grande dominador da modalidade até ao surgimento do norte americano.
É difícil dizer com exactidão quem foi melhor, mas duvido que o texano fosse vencido, dizem os entendidos que quem derrota a morte ganha força sobre-humana.

10 Comments:

At 1:30 da tarde, Anonymous Heidi Klumpf said...

Confesso, não sou nenhum expert da modalidade, muito menos fã. A minha mulher é. Prefere Ulrich a Armstrong, argumentando que o problema de Ulrich deve-se ao facto de encarar a modalidade de outra forma, ou seja,não abdica da sua "vida mundana" e é psicológicamente instável, tendo menos ganhos e mais prejuizos em relação ao americano.Gostos à parte há uma questão pertinente, Armstrong só se preparava para o Tour descartando o Giro e a Vuelta, algo que os outros nunca descuraram, provavelmente por isso o Norte Americano retirou dividendos em termos de planeamento e preparação da sobrecarga alheia. Se Merx e Indurain só tivessem competindo única e exclusivamente na competição gaulesa, Armstrong teria sido melhor que eles? Nunca o saberemos!
Uma palavra para Agostinho, do qual Merx dizia que tinha sido o melhor trepador que alguma vez tinha visto.

 
At 2:02 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Aí está Heidi.
A tua esposa tem a mesma opinião de muita gente entendida na matéria.
Dizem q Ulrich em termos de potencialidades era capz de ser melhor dq Lance. Para seu azar, o alemão comete uns excessos e engorda com muita facilidade.

Dizem q Agostinho era grande. eu nunca o vi correr, mas acredito.

 
At 8:42 da tarde, Anonymous Jorge Kataklismann said...

Também não sou nenhum experto na modalidade, mas tenho algum apreço por ela e acho que aquelas etapas de alta montanha são dos maiores espectáculos desportivos a que se pode assistir.

Estou igualmenta convencido de que Jan Ullrich foi o maior talento que surgiu nos últimos anos. Só que ele é a perfeita antítese do atleta alemão típico. Este, normalmente, não é sobredotado em talento, mas atinge o sucesso graças ao empenho, rigor e disciplina. Ullrich nasceu nem dotado para o ciclismo, mas não tem profissionalismo nenhum. Daí que ele comece sempre o Tour de forma miserável e vá subindo de rendimento com o decorrer da prova. Aí já é tarde. Tenho pena, até como germanófilo que sou.

O Cavra tem razão quando diz que o Merckx tem um currículo melhor que o Armstrong no conjunto das 3 grandes provas. Mas parece-me que a Volta a França é a Liga dos Campeões, enquanto as outras duas serão a Taça UEFA e a Taça das Taças. Recordo-me, por exemplo, que o Jalabert uma vez ganhou a Vuelta com uma perna às costas, ganhando quase metade das etapas, e nunca conseguiu estar perto de ganhar a prova do seu país.

 
At 1:29 da tarde, Anonymous Heidi Klumpf said...

Jorge, já havíamos comentado sobre o assunto e especialmente sobre Ulrich, mas questiono-me sobre o seguinte, qual das primeiras voltas se realiza o Tour, a Vuelta ou o Giro? Penso que é o Giro 1º seguido do Tour e finaliza com a Vuelta. Eh pá sinceramente não sei, como te disse não sou um grande entendido na matéria. Concordo contigo quando fazes as comparações relativas à Champions, Uefa e Taça das Taças, mas não achas que quem compete únicamente numa prova tem vantagem em relação àqueles que competem nas três sucessivamente? O desgaste de quem compete numa só é menor, a preparação é maior e mais cuidada, a planificação de uma época idem idem, aspas aspas, e a minha dúvida permanece. Será que se Armstrong tivesse competido nas três provas de forma sucessiva era melhor que Merckx? Talvez sim ou talvez não.

 
At 2:13 da tarde, Anonymous Jose_Cavra said...

O Giro é em Maio, o Tour em Julho e a Vuelta em Setembro.
Claro q quem compete numa só prova tem vantagem sobre quem faz 2 ou 3 das grandes voltas.
Lance era mesmo forte, sendo quase impossivel bate-lo na prova gaulesa, ao ponto de a T-Mobile ter equacionado fazer Ulrich correr o Giro e a Vuelta.
Desta forma evitava-se o confronto com o norte americano e a equipa poderia triunfar nas outras grandes voltas.

Outra curiosidade: Simoni disse um dia q Lance perderia no Giro.
Duvido!
Se ele se mentalizasse q teria q correr para o Giro, ninguem lhe faria frente.

Nunca saberemos contudo, se Lance aguentaria outra grande volta para além do Tour.

 
At 2:37 da tarde, Anonymous Heidi Klumpf said...

Quanto ao Tour sabia que era em Julho, a minha dúvida estavam nas outras. Cavra, obrigado pelo esclarecimento. A dúvida fica, mas o talento de Armstrong não merece contestação.

 
At 3:41 da tarde, Anonymous Jose_cavra said...

Claro que não Heidi.
Seria o mm q duvidar do talento de Maradona ou Pelé

 
At 12:38 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Em primeiro lugar cumprimentos a todos que deixaram aqui a sua opiniao.
Agora no que ao Tema diz respeito "Armstrong ou Merckx", na minha opiniao nunca poderemos ter a certeza de quem foi melhor, mas posso afirmar que Merckx nunca derrotaria Armstrong.
Meu caro amigo José Cavra tenta distinguir os ciclistas em questao simplesmente nas suas vitorias e nao nas suas caracteristicas hora vejamos: Mercks conseguiu alcançar mais vitorias que Armstrong é um facto mas durante a sua vida competitiva nunca teve grandes ciclistas que o destronasem, ao contrario de Armstrong que teve durante todas as suas vitorias pela frente ciclistas como Jan Ullrich,Marco Pantani, Joseba Beloki, Ivan Basso, Zabel entre outros sempre candidtos a vencer qualquer grande volta e Armstrong sempre lhes ganhou com margens superiores a 5 minutos a eccepçao do seu 5 Tour; no que as etapas cronometradas diz respeita Armstrong ganhavas de maneira incontestavel; e quanto a armstrong nao correr mais nenhuma das duas grandes voltas que sao o Giro e a Vuelta hoje em dia e impossivel um atleta estar ao mesmo nivel nas tres grandes voltas e nem mesmo Merckx o conseguiria dado o nivel competitivo que nao era o mesmo que agora. Parece obvio qual sera a minha opinao. Lance Armstrong o Melhor.

P.s: estamos a falar de um homem que sobriviveu a um cancro nos testeculos, 14 tomores no pulmao e 3 tomores no cerebro, a quem os medicos davam menos de 10% de possibilidade de sobrivivencia. Volta e simplesmente ganha 7 vezes consecutivas a mais dura prova de Ciclismo do Mundo.

LiveStrong

Diogo Brandão

 
At 4:07 da tarde, Blogger LC said...

Senhor Brandão:
Permíta-me que lhe diga que fala de um assunto baseado nas suas fezadas e emoções, sem fazer ideia nenhuma do valor nem sequer dos nomes dos que corriam no tempo do "Canibal"!...
As dificuldades que eles, nessa época, tinham de defrontarem, eram muito mais duras e exigentes do que são hoje. Por outro lado, as etapas eram, substancialmente, mais cansativas e os pavimentos das estradas muito mais difíceis.
O estado psicofisiológico dos intervenientes tinha de ser à prova de "ferro e fogo"!
Os atletas de então lutavam para ganhar sempre, todos os dias, se possível!
O seu labor, enquanto durasse a prova, jamais terminava.
Não era invulgar ver corredores da mesma equipa lutarem entre si, o que proporcionava espectáculos e expectativas inolvidáveis e magníficas. Isto, há muito que acabou, relegando uma modalidade que foi neste país tão ou mais famosa e querida que o futebol quase para a rua das amarguras, e, que só sobrevive à custa de muita e caríssima publicidade.
Julgo, que nunca os portugueses tiveram tantas bicicletas como hoje. E, todavia, quando a televisão, excepcionalmente, transmite uma prova de ciclismo de interesse, os que se exibem nas suas bicicletas, ignoram-na...
O alemão claudicou perante o americano por que este lhe era superior em tudo: a subir, a rolar, etc..
Foi e seria sempre o eterno segundo, à semelhança de Poulidor, que se classificava sempre a seguir a um ciclista de categoria elevadíssima: J. Anquetil. Este homem que dizia: "sou um ciclista e não um comediante", depois de vencer a prova Dauphiné Libéré, muito dura, poucas horas depois, disputa a clássica, Bordéus - Paris, tradicionalmente de percurso árduo e, para cúmulo, nesse dia, dificultada ainda mais por vento muito forte, ganhando-a...
Joaquim Agostinho, para citar apenas um português, era bem superior a todos esses Belokis, Bassos ou Zabeis.
Merkz, teoricamente, tinha capacidade e valor suficientes, para com ataques fortíssimos e constantes, desferidos todos os dias, como era seu timbre, fazer, quiçá, com que o americano acabasse por desistir.
A volta à Espanha, há alguns anos, que se tornou uma prova ciclística muita emotiva, pejada de etapas de montanha que lhe conferem um cariz muito mais competitivo e agradável para os adeptos do que a francesa; monocórdica e, muitas vezes, enfadonha. Além disso, a espanhola termina com um contra-relógio, o que faz arrastar as expectativas e as emoções até ao último dia. A francesa termina no penúltimo dia...
O Lance, que eu saiba, só teve um cancro num testículo, e não "testeculo", o que já lhe chegou bem!
"14 tomores no pulmao e 3 tomores no cerebro". Cuide do seu português meu amigo! O património do país mais importante. Já bastam os brasileiros apadrinhados por alguns “patriotas” de cá, pretenderem assenhorearem-se deste património para o abastardar e "mediocrizar" até o transformar no dialecto deles. Dialecto, segundo João de Araújo Correia. Mais tarde e baseados na quantidade, quem sabe, talvez pensem em alterar a talha ou os alicerces ou outra coisa do Mosteiro da Batalha, por exemplo...
Cumprimentos
Luis Cardoso
PS: se o americano continuasse a correr ganharia sempre e, cada ano, com mais facilidade...

 
At 2:12 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Eddy Merckx e Lance são únicos.. compara-los é estupidez... Cada um tem seu mérito. Eddy um campeão das estradas, o outro venceu um câncer ... sem mais...

 

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